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Blog de jamilandias
 


Bolas...

Ai! Levanta e vai logo ao mercado. Nem pude reclamar, já estava enrolando a quinze minutos, mas que culpa tenho se o filme insiste tornar mas interessante a cada minuto.

Pronto! De boné e dinheiro no punho, pedalei ao seu Moacir, com prazer de uma morta; fui de pronto ao fundo da loja, peguei as latinhas de ervilhas, paguei. Nem quiz o troco. Pedalando mais rápido, busquei chegar antes do fim do outro intervalo, contava mentalmente os seis minutos de mídia e os quatorze de filme, um cinéfilo amador eu sei, mas expectador assíduo das reprises da tarde.

Tai mãe! Emburrado mas certo do bom trabalho executado fui pra sala. E o espanto tomou conta, quando avistei o Laerte, primo idiota, despojado no sofá assistindo discovery channel.

Como assim!? Xurapei a orelha do dito, safanando com o vontade o individuo; e os gritos ecoaram pra cozinha e minha mãe veio, eu acho socorrer-me; mas que nada, com uma tala nos dedos e a cinta nas mãos tentou me acertar, não obtendo êxito mudou o canal  da tv para o playstation dando para o moleque.

Fiquei ai! Sem sorvete e jujubas de gosta tanto. No castigo pense porque seu primo não pode ver televisão contigo.

Oras! Nem quero saber disso, eu não o convidei mesmo. Bolas! Chutei o cachorro.



Escrito por jamilandias às 18h08
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Ribalta

Eram sete e trinta e oito e trinta segundos daquela noite; após um primeiro dia tenebroso do retorno do trabalho, quando muitos alegres buscavam o recanto de seu lar. Ele se perdia no meio de automóveis pálidos e vagarosos numa longa sinuosa cobra de diesel e pneus.

 

Recostado no vidro do carro entre ouvir canções de famosos já esquecidos, entorpecia no calor da rua o vivenciar dos vestidos fogosos das meninas recatadas num grande desfile sem platéia. Imaginava o porquê de balzaquianas se dão ao trabalho de serem mocidade enquanto a mocidade deseja ser senhoras.

 

Tal como a Ana Júlia, sua filha, no auge dos dezessete anos presa em vestidos fechados e maquiagem inexistente, escondendo como freira as feituras sinuosas do corpo, que  algumas vezes salvo engano você já desejou possuir, como fez com a mãe dela na mesma idade.

 

Um silêncio ensurdecedor bateu no beatle, sonho de consumo do interiorano adulto, acostumado com cavalos e burros. Uma nostalgia no ar tomou conta do amarelo dos bancos, subiu pelas frestas das janelas indo de encontro os olhos que vieram a lacrimejar; talvez gripe já pensou ele e como vovô já dizia, canja de galinha e caminha nunca é demais! Aquela velha senhora, dona da monark de cestinha sabia das coisas, menos quando deu a bicicleta de pneus careca para ele, nem pintura nova veio. Baita presente de aniversário!

 

Divagando sobre tudo, seus devaneios levaram a universidade, momento fatídico de sua vida, já que queria Física e não Educação Física, ficou com Educação Artística e longo seis anos se passaram: conquistas vieram, perdas também. Tantas memórias que o sinal de aberto ao trânsito foi ignorado, somente lembrado quando da buzina insistente da Van vinho, com receio que fechasse de novo.

 

Acelerou, pondo fim na monótona volta pra casa, não percebeu que fechou a Yamaha que decolando pousou no viaduto da Aranhos Paranhos, austríaco comerciante dos idos de 1920. Seu novo fusca encontrou o muro da revendedora, desfacelando. Armava-se uma grande confusão e horas estressantes por vir. Noticiário veio; já por perto estava cobrindo matéria de um racha de motos e de sangue fluía seu rosto, ainda atônito pelo ocorrido, pensava em qual canal passaria.

 

Se corresse poderia assistir em casa, enquanto os demais familiares choravam o morto, a grande reportagem de onde foi o pivô em seu noticiário preferido o das Dez, da tv a cabo.

 

 



Escrito por jamilandias às 19h26
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Desafio

E foram tanto os motivos que levaram ele não percorrer a rua cinzenta e morta naquela noite. Que podemos dizer: somente  o imperativo da chamada tiraria-o do conforto do sofá no outro lado da cidade.

Enquanto caminhava, travado no aperto das bermuda branca, imaginava que um susto ou um de repente, poderia lhe causar um transtorno herculeo de cor amarelo-manga e torcia para ninguém além da vivas almas do cemitério aparecesse ali; pois dos mortos ele entendia bem, já os vivos não entendia bulufas, preferia aos cães.

Não tardou e a cerração comum daqueles dias baixou e com ela o momento de solidão abraçou-o tão fortemente que envolvido nos seus braços de oxigênio divagou a relembrar dos idos dias da sua juventude, a da infancia lembrava sempre que cruzava com Dona Carminha, professora emérita dos cálculos, portanto não havia mais espaço ou ensejos de lembrar de algo que já era rotina.

As memorias vinham do tempo que estava decidido ser militar, algo que muito alegrava sua mãe, que na antevespera já havia preparado sua mala, para um fim de semana no quartel da cidade. Tudo isso era um desejo de momentânea vontade, que logo ficou para trás, já que no quartel: marchar, malhar e pagar dez não era bem o seu sonho de consumo.

Rindo prosseguiu na sua peleja nas veredas curvileneas avistando ao longe a tão desejada marca de seu destino:sua casa!Queria de certo aumentar o ritmo das passadas mas receoso de ocorrer algum tropeço ou mesmo atos involuntários perigosos, manteve-se atento como uma maratonista certo de sua vitória.

E foi se indo, e nevoa baixando, memórias vindo e sumindo e gargalhadas do outrora pacato pedestre que dividia uma pequena sala no centro com outro amigo pouco mais novo, mas matreiro como o mesmo, uma dupla dinâmica, arquitetos das maiores artes vistas na cidade. Hoje sensatos, honestos senhores...

Uma cor verde antes disforme, molda a porta e janela, únicas vistas a meio caminho,  o lampião confirma: está perto! E numa rápida volta de chave, abrir de tranca e um sentimento que não daria mais tempo, põe-se a correr e um novo recorde é batido, como prêmio sente no trono e mande seu fax ao papa; pois na casa da namorada não pode, da última vez foi um desafio ficar naquele loft, depois de sua visita. Precisou que o casal enamorado jantasse no hall do prédio.



Escrito por jamilandias às 20h54
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